Certificados de Aforro ou de Tesouro: Qual o melhor?

Certificados de Aforro ou de Tesouro

Será rentável investir em títulos da dívida pública? Qual será a melhor escolha? Saiba o que são os Certificados de Aforro ou de Tesouro, como investir e quais os lucros.

O que são os Certificados de Aforro ou de Tesouro?

Os Certificados de Aforro ou de Tesouro são contribuições monetárias, feitas através das poupanças de particulares, ao Estado sendo por ele recompensadas através de um rendimento. São formas de investimento sem risco de perda de capital. Ambos os certificados podem ser obtidos nos CTT, no Espaço do Cidadão ou no portal da IGCP (Agência da Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública).

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Certificado de Aforro

Atualmente a série em comercialização é a E com um montante base mínimo de 100€ até um máximo de 250.000€. O prazo é de 10 anos e tem um período de imobilização de três meses. O pagamento de juros é feito trimestralmente na fórmula E3+1%, onde é feita a soma da média dos valores da Euribor a três meses nos dez dias úteis anteriores e 1%, da qual terá que resultar uma taxa positiva até um máximo de 3,5%.

É possível a capitalização dos juros após os três primeiros meses. O prémio de permanência que acresce à taxa de juros trimestral é de 0,5% do 2º ao 5º ano e de 1% do 6.º ao 10.º ano. O resgate pode ser feito de forma total ou parcial após os primeiros três meses apenas não sendo contabilizados os juros entre a data da última capitalização e resgate.

Certificado de Tesouro

Atualmente está em comercialização o Certificado do Tesouro Poupança Valor que substituiu o CTPC. O montante base mínimo é de 1.000€ até um máximo de 1.000.000€. O prazo é de 7 anos e tem um período de imobilização de 1 ano. O pagamento dos juros é feito anualmente com uma taxa fixa de 0,70% nos 1.º e 2.º ano, 0,80% no 3.º ano, 0,90% no 4.º ano, 1% no 5.º ano, 1,30% no 6.º ano e 1,60% no 7.º ano. Não é possível a capitalização dos juros. O prémio de remuneração a acrescer à taxa anual inicia após o 3º ano e corresponde a 20% do crescimento médio real do PIB.

Neste sentido, para poder obter o prémio é necessário que o crescimento médio real do PIB tenha sido positivo nos últimos 4 trimestres e fica limitado a um máximo de 1,5%. O resgate pode ser feito de forma total ou parcial após o fim do primeiro ano com a particularidade de perder parte dos juros se o resgate for feito antes do aniversário de subscrição.

Em suma

Certificado de AforroCertificado de Tesouro
AtuaisSérie ECTPV
Montante Base100€ até 250.000€1.000€ até 1.000.000€
Prazo10 anos7 anos
Período de imobilização3 meses1 ano
Pagamento dos jurosTrimestralAnual
ValorE3+1% (>0 e <3,5%)0,70% – 1º ano
0,70% – 2º ano
0,80% – 3º ano
0,90% – 4º ano
1,00% – 5º ano
1,30% – 6º ano
1,60% – 7º ano
Capitalização de jurosSimNão
Prémios0,50% do 2º ao 5º ano
1,00% do 6º ao 10º ano
Máximo de 1,5% por ano após o 3º ano
ResgateTotal ou parcial após 3 mesesTotal ou parcial após 1 ano

Na hora de investir, qual é a melhor opção?

Existem diferenças entre o Certificado de Aforro e o Certificado de Tesouro que determinam a melhor solução para cada indivíduo. Aquando da frequência de resgate, se se pretende a liberdade para fazer levantamentos a curto prazo, a melhor opção será, efetivamente, o Certificado de Aforro, pois pode fazer resgates a cada trimestre e usufruir dos mesmos ou tornar a investi-los. Caso pretenda apenas um extra-anual, o Certificado de Tesouro torna-se a solução mais viável já que a cada ano tem um depósito relativo ao mesmo.

No que diz respeito à quantidade lucros, temos de ter em atenção alguns fatores. É verdade que ao fim do primeiro ano o CTPV nos parece ser mais rentável e o mesmo acontece no final de 7 anos. No entanto, é necessário perceber que, caso se pretenda investir durante um período de 10 anos, devido à capitalização de juros e às taxas fixas, o Certificado de Aforro torna-se mais lucrativo.

Para que os Certificados de Tesouro se tornem mais competitivos em relação aos Certificados de Aforro, teríamos que obter um valor médio real do PIB superior a 0,75%. Nesse caso, temos de atentar também ao comportamento da Euribor (que tem sido negativa), pois o seu aumento trará com ele uma subida dos juros no caso da série E.

Concluindo, para um investimento superior a dois anos, apenas opte pelo CTPV se a perspetiva para o crescimento gradual do PIB for positiva. Caso contrário, mesmo com condições penalizadoras atualmente, o Certificado de Aforro parece ser a melhor solução.

Na eventualidade de querer recuperar o seu dinheiro, devemos ter especial cuidado com as datas e fazê-lo após o fim do trimestre ou do aniversário da subscrição respetivamente. Por exemplo, no caso do Certificado de Aforro, se a subscrição for a 10 de janeiro, os trimestres irão finalizar consequentemente a 10 de abril, 10 de julho e 10 de outubro. Caso contrário, se pedir o reembolso a 9 de outubro, irá perder os juros relativos a esses três meses.

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