Ações: Por que existem? O que são? Posso lucrar? 

ações

Investir em ações pode ser mais simples do que se imagina, não é necessário um conhecimento profundo, só depende do seu objetivo. Claro que, algum estudo é sempre necessário, principalmente para saber onde investir. Descubra neste artigo o mercado de ações.

O que são ações?

Para entender melhor o que são ações vamos dar um exemplo prático do porquê do mercado de ações existir.

Imagine que tem um amigo que abriu uma fábrica de bicicletas em Lisboa, de nome Santiago. O Santiago trabalha bastante, produz e com o tempo faz um negócio rentável e próspero. Santiago decide que é hora de crescer, mas, não tem capital para expandir a fábrica ou abrir filiais, então decide que é hora de adquirir sócios que podem o podem ajudar na empreitada.

Digamos que a empresa é avaliada em 100.000 euros, ele separa 25% da empresa (valor de 25 mil), divide em 25 mil “pedaços” (ações), que serão colocadas à venda pelo valor de um euro cada. Ao final da operação, o Santiago consegue mais 25 mil euros para investir, em contrapartida, terá que dividir 25% dos lucros com o detentor de cada ação. Numa palavra, uma ação, corresponde a um pedaço da empresa.

Como lucrar com ações?

Existem duas formas:

  • Valorização da ação
  • Dividendos

Como foi dito na história do nosso amigo Santiago, cada ação tem o seu valor, a partir desse valor ela é negociada com base em lucros e expectativas, de quem possui ou deseja possuir a mesma. 

Suponhamos que a empresa lucra 50 mil euros líquidos, em um ano, após abrir o seu capital (vender ações a terceiros). O lucro é usado para expandir a empresa, gerando assim mais valor em cada ação. Com a injeção de 50 mil euros em investimentos, espera-se que os lucros sejam ainda maiores no futuro, portanto a ação custará mais do que o euro inicial. Quem comprou a ação por um euro, agora pode vendê-la por um pouco mais e colocar a diferença no bolso.

Outra maneira de ganho seria a empresa repartir os lucros em forma dividendos (parte do lucro de uma empresa distribuído ao acionista). Voltando à fábrica de bicicletas, dividiríamos proporcionalmente os 50 mil por cada “dono” (o acionista é um dos donos) da empresa.

A vantagem em ser um dos “donos” é clara, partilha dos lucros e valorização da empresa. A desvantagem e risco que existe é a empresa ter prejuízo ou sofrer alguma mazela externa, o que leva a deterioração do valor da empresa e não divisão de lucros.

Voltando novamente à fábrica de bicicletas, mas, agora com prejuízo de 50 mil euros. A empresa não tem lucros a dividir, a expectativa é de um futuro mais difícil, então o valor de cada ação já não é mais um euro, e quem decide desfazer-se da mesma naquele momento, perdeu a diferença, quem opta por esperar um futuro mais próspero, e acerta na decisão, pode voltar a ter lucros novamente.

Devo começar a investir em ações?

A resposta não é um claro sim, podemos comprar a ação de uma empresa hoje e ela mostrar ótima rentabilidade, como pode acontecer o contrário, por isso trago mais dois conceitos desse mundo que já faz parte: estratégia e fundo de emergência.

Estratégia é o modo que investimos, consoante o perfil e objetivo de cada um, é ideal que se encaixe a um modo de operar, pelo menos inicialmente. Assim, citamos alguns tipos de investidores e as suas estratégias:

  • Longo Prazo: Analisa-se uma empresa, e a partir dai, compra-se a ação com a expectativa de que a empresa cresça, e o lucro melhore com o passar dos meses e anos, com isso o preço da ação irá valorizar.
  • Curto Prazo: É feita uma análise de cenário da empresa, e do preço que a ação tem no momento, o investidor entende que haverá uma valorização nos próximos dias. Então, ele compra hoje para vender em alguns dias, é conhecido como swing trade.
  • Daytrade: É feita uma análise diária da ação, o negociador compra e vende no mesmo dia, procurando o retorno na diferença entre a compra e a venda.
  • Dividendos: O investidor procura adquirir lucro com a sua participação na empresa, não visando tanto à valorização da ação.
  • Passivo: É o que mesmo sem conhecer e estudar esse universo, quer estar exposto ao mesmo. É possível se expor através de fundos de investimentos (empresa que gerência e investe o capital de terceiros), geridos por profissionais. Esse tipo de investimento expõe a um retorno normalmente maior que o da renda fixa, mesmo sem o estudo necessário para se investir por conta própria. Se o seu objetivo não é estudar e se dedicar, é melhor deixar na mão de um profissional.

Todos os tipos de investidores que citamos acima têm os seus momentos de rentabilidade negativa, seja por um erro de análise ou por crise no mercado. Portanto, é necessário que se tenha parcimónia ao investir no mercado de ações.

A volatilidade das ações

Por ser muito volátil é possível que se ganhe muito dinheiro, por exemplo, quem investiu na EDP Renováveis (empresa de energia renovável) no período de 01/01/2020 a 01/01/2022, viu o seu património a ter a valorização de 108,57%. Por outro lado, quem investiu no Banco Comercial Português viu o decréscimo de 30,52% no mesmo período.

Em momentos de crise é bom que não se tenha investido todo o dinheiro no mercado de ações, que tenha um fundo de emergência (dinheiro guardado em renda fixa, livre da volatilidade da renda variável, que pode ser usado em momento de crise), assim, caso enfrente um período de volatilidade, não será necessário vender as ações por um preço baixo, mas sim aguardar a melhora do momento ou investir em ativos que no futuro darão frutos.

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